Já faz muito tempo, Curitiba e região foram tomadas pelos vendedores de cachorro quente. A concorrência é brutal, nas vias de maior movimentação é possível encontrar um vendedor a cada 200 metros. Os pontos de venda geralmente são trailers adaptados, mas também podem ser ônibus ou até pequenos terrenos alugados para o mesmo fim.
As acomodações para o cliente são sempre as mesmas, mesas, cadeiras e banquinhos de plástico. Não faltam aqueles que projetam nas paredes ou num telão vídeo clips, shows, ou até a novela mesmo, ou seja há para todos os gostos.
A concorrência é tanta que muitos deles não sobrevivem e acabam sendo vendidos , fechados e reabertos varias vezes por ano. e nesta época de vacas magras, este fenômeno fica muito mais evidente,
Mas como em épocas de crise uns choram e outros vendem cachorro quente, há aqui na cidade um certo senhor que não está nem um pouco preocupado com isso. Seu pequeno comercio sempre atuou muito bem. Para o "tiozinho" como se auto denomina não existem crises.
O que mais impressiona, é que o tal comercio nada tem para ser um sucesso, o trailer ocupa quase toda a calçada não deixando espaço para as pessoas, estacionar o carro ali é muito difícil, pessoas caminham mais de 60 metros para comprarem, se chover não tem jeito guarda chuva, tem apenas uma mesa e uns poucos banquinhos, portanto dodos de pé. Acomodações por demais precárias se comparadas as dos vazios concorrentes.
Falando da concorrência, muitos deles oferecem mais de 15 sabores diferentes de cachorro quente e outra infinidade de lanches, enquanto o "Tiozinho" oferece apenas quatro sabores de cachorro e nada de sanduíches , e antes de pensarem que se trata de preço, garanto que não é o caso, o preço dele está de acordo com o mercado.
Nesta altura alguém pode citar que o sucesso está nos hábitos de consumo, pois os 4 P do Marketing deixaram de fazer sentido, o que também não vem ao caso.
O segredo do sucesso no entanto deixaria Henry Ford com seus cabelos em pé, o homem não vende dois cachorros iguais, cada cliente pede alguma coisa diferente e ele assim o faz. Partido daqueles quatro sabores os clientes pedem para por ou retirar componentes, tais como cebola, tomate, molho, colocar uma segunda ou terceira vina - ops salsicha - ainda dá para colocar um pão maior se o cliente assim o desejar, tudo com um justo sobrepreço de acordo com a customização.
Portanto há aqui uma coisa a ser aprendida, enquanto uns criam uma serie de produtos diferentes na tentativa de agradar a todos. Produtos estes que acabam sendo vendidos de maneira engessada, ou ainda, enfiados esófago abaixo da clientela. O "Tiozinho", faz exatamente o contrario. Desenvolveu o básico e permite que os cliente mecham a vontade no produto final. Em outros termos, ele não vende o que deseja produzir, e sim aquilo que seus clientes desejam comprar.
É nesta hora que muitos dirão que tal opção somente é possível pois a empresa que tomei como base é muito pequena e permite este tipo de situação. Ledo engano, pois até a "diminuta" Microsoft foi obrigada criar uma empresa dentro de uma empresa para atender as exigências do Mercado Russo...
Agora se me permitem, estou indo comer um cachorro quente no "Tiozinho", más antes tenho que passar num caixa automático pois seu comercio não possui máquina de debito em conta....