Cinquentões nada sabem de informática????
O filosofo Hegel,
escreveu que “ As pessoas criam princípios e os seguem cegamente mesmo sem saber
porque fazem Isso” e no caso da informática não poderia ser diferente.
É muito
comum escutar que pessoas com mais de 50 anos nada entendem de computadores. O
grande problema é que esta linha de pensamento foi elaborada no século passado,
ou seja, lá no começo dos anos 90. Portanto se alguém tinha na época seus belos
40 aninhos, hoje estará com 75 anos no mínimo. Preço que se paga por criar um princípio
e segui-lo cegamente por mais de 25 anos.
Adepto que sou
das teorias educacionais de Ruben Alves e dos livros de Marketing Digital de Christopher Locke; seguirei agora com uma história em primeira pessoa com
algumas pitadas de ironia.
Comprei meu
primeiro computador, lá nos meados dos anos 80... Aquela “potente”
máquina que me custou o equivalente a quatro salários era por assim dizer um
tanto rudimentar e vinha sem alguns itens que foram considerados irrelevantes na época. Entre eles podemos citar: o monitor, o mouse, e o mais inútil de
todos: o HD, isso mesmo o computadorzinho não tinha onde guardar um dado
sequer, muito menos um software, ou programa, como eram chamados na época. Mas isso
não era problema, pois guardávamos todas as informações em uma fita K7, que era
gravada num aparelhinho chamado Data Corder. Gravar era fácil, o difícil era
recuperar os dados. Uma maratona que geralmente terminava em desespero.
Como o computador
não tinha monitor, ele deveria ser instalado num aparelho de televisão, e como
já havia comprometido minha renda por muito tempo fui até a garagem da casa de
meu pai garimpar alguma TV que por lá estivesse perdida, pois alguns anos antes
ocorreu a migração das TVs preto e branco para as em cores, portanto lá fui eu
com uma TV de 20 polegadas no esplendor do Preto e Branco para ser instalada
num computador que veio com a incrível capacidade de 16 cores...um desperdício de
tecnologia.
Após ficar um
tempão com um catálogo ao lado conectado e descontando fios, consegui ligar a
super máquina, e fiz alguns programas em linguagem “BASIC” para realizar
tarefas extremamente complexas, como o teorema de Pitágoras, e o cálculo do
volume do cubo. Para tarefas mais complexas comprava a revista “INPUT” e digitava
o Software, que irremediavelmente era perdido quando tentava guarda-lo na fita
K7...
Porem como meu
micro era potente em gráficos, afinal tinha Pixels do tamanho de uma cabeça de fósforo
(Fósforo Carlos, não seja tão Retro). Parti então para os desenhos e muito
tempo depois até criei um joguinho. Mas naquela época nem tudo eram flores, as
máquinas tinham um defeito, muitas delas estragavam as televisões porque o
sinal emitido era muito forte causando algum tipo de desgaste acelerado na
geração de imagens. Quando queimei a segunda e última TV que havia na garagem do
pai abandonei o projeto, até porque uma nova geração de computadores estava
dominando o mercado. – pelo menos agora existia uma coisa chamada winchester – ops
HD...
Podia agora
trabalhar com um micro computador na empresa, o problema era que para realizar
as tarefas era necessário aprender MS DOS, e as contribuições do capeta à
informática, um tal de LOTUS 123, e seu irmão em dificuldade, o WORD STAR. A
coisa era tão medonha, cada um destes softwares vinha com um manual do tamanho
de uma lista telefônica (Ops, la vou eu de novo referenciar com coisas do
passado, pensando melhor do tamanho de um volume da Barsa).
É também desta
época a grande contribuição dos usuários ao pessoal da TI – o grito de “SOCORRO
!!!!” Ou ainda a demonstração de quão eficientes eram os treinamento que realizávamos: o mais famosos dos gritos
histéricos “ALGUÉM SABE COMO DIGITO O Ç” . Pois é pessoas, nada de teclado
ABNT, o “Ç” e as acentuações não existiam. Mas isso não era problema digitava
tudo da maneira que dava e corrigia a impressão com caneta preta. Viva a
tecnologia de ponta.
Porem com o aumento da demanda destes softwares no mercado
Brasileiro os programadores inseriram os caracteres faltantes de uma maneira um
tanto confusa de serem digitadas. A coisa era mais ou menos assim: com a mão
esquerda você aperta Ctrl + Alt + Tab + Esc + F1 e com a esquerda Shift +
Insert + barra invertida + F5 e com um lápis na boca aperta a letra C e pronto ai está o tal Ç – Ta bem confesso
que exagerei um pouco mas a coisa era mais ou menos isso . Deus salve que
inventou as canetas pretas. Ainda desta época é o famoso e atualmente
desconhecido Drive “A”...
Então quando
pensei que a coisa havia estabilizado, apareceram as contribuições de um senhor
chamado Bill Gates, e tive que começar tudo novamente da estaca zero, até
porque, apareceu um ratinho com três botões que requeria um novo tipo de
habilidade, e se alguém sabe para que servia o botão do meio por favor escreva
nos comentários embaixo....
São desta época outras
grandes contribuições dos usuários ao crescente nível de estresse do pessoal da
TI. A primeira e talvez mais conhecida, aconteceu nos países de língua inglesa –
CADÊ A TECLA QUALQUER!!!! . Por aqui não da muita graça, mas tivemos nossa
contribuição: os mais entendidos gritavam aquele bordão que ficou muito tempo ligado
aos produtos Microsoft – DEU PAU !!!!....Porem
o menos entendidos se desesperavam, e apavorados ligavam para o pessoal da TI
gritando “MEU MICRO ESTÁ MORTO”...como assim
- é que deu “ERRO FATAL”.
Por incrível que
pareça isso tudo acima ocorreu em meros dez anos de minha história, pois na
metade da década de 90 o domínio do Windows e do Office da Microsoft deixaram
as coisas mais calmas, e consequentemente um pouco menos neuróticas. Bem teve o
famoso Bug do Milênio para gerar um pouco de pânico. Mesmo assim me divirto,
por assim dizer, quando algum Diretor resolve trocar o sistema operacional da
empresa para o LINUX... As reações das pessoas perante tal mudança me fazem
sentir novamente com vinte e muitos
anos...
Olhando para traz,
não ainda não sei como sobrevivi a tantos, INPUTS, FORMAT, PKZIP, IF-THEN-ELSE,
compilações, BASIC, COBOL, FORTRAN, Control
A, Control B, Control Tapas, F1, F2, Sextas Feiras 13, vírus, anti vírus,
Internet discada, banda larga, 3G, 4G, sem falar do fim das pranchetas e a
entrada do Auto Cad, R13 e graças aos céus o R14, sistemas ERPs, planilhas como
a Lotus 123, processadores Zilog Z-80, *.*,
e mais uma infinidades de comandos que agora são totalmente inúteis.
Talvez seja por tudo
isso que recentemente ao ser forçado a comprar um novo celular após ter o meu abruptamente
subtraído, enquanto o jovem vendedor me mostrava a oitava maravilha do mundo moderno e que segundo ele possuía a incrível
e inovadora tecnologia de ser conectado a um aparelho de TV – (mas eu já não
fiz isso a trinta anos atrás???), o interrompi e desse:
- Por favor, me
mostre um apenas que cumpre a função de falar...
Sai da loja a
tempo de escutar o vendedor falado para sua colega:
- Esses cinquentões...
Morrem de medo ao verem uma nova tecnologia...
Não o culpo, ele
apenas está aplicando um princípio por nos criado antes mesmo dele nascer...
E você que me
acompanhou até aqui, será que não está também aplicando em sua vida profissional algum principio totalmente
ultrapassado?????
Eu comecei com o MSX, aqui no Brasil fabricado pela Gradiente.A CPU ficava aberta pois uma mudança de temperatura, soltava os contatos que eram fixos por pressão e aí, o "computador" desligava e qualquer trabalho ia para o espaço. Para minimizar, salvava-os a cada parágrafo digitado. Ah, a impressora era a Emília, lembra-se?
ResponderExcluirClaro que lembro, o computador era o mesmo, como não quis dar a marca somente citei o Processador - Zilog Z80....
ExcluirSou do tempo do TK-85. O meu tinha 8 K RAM, e eu sonhava com um upgrade de 64K.
ResponderExcluirMinha máquina fotográfica era uma Kodak Instamatic com Magicube (4 flashes, filme de 24 posiçoes). Hoje, tenho uma Nikon D7000 (digital).
Aos 51, "nada temo": uso em casa um MacBookPro com direito a Windows virtualizado pra compatibilidade com o trabalho. Mas me divirto com meu iPad3. Sempre que possível, leio ebooks ou audiobooks. Prefiro me educar online e já fiz vários cursos. O telefone é um iPhone4. que utilizo muito bem obrigado.
No trabalho, usamos Windows (mas já usei também o Linux).
Não, não tenho nenhuma tecnofobia. Mas também não: não gasto borbotões com tecnologias sem que implique em alguma utilização pessoal pática. Por enquanto, nada de iWatch ou Apple Watch.
Mas minha esposa (50, tecnófoba de careirinha) não se dá bem com seu Android (apesar de que o "Zapzap" da moda já aprendeu). E tem medo desse "monstro" com que alguns médicos malsãos começam a querer nos apontar, o "vício de informática" (Sim, sou médico também, mas não "aceito" nessa designação - tínhamos "vício emmáquina de escrver ou calcular"?? É, acho que sim"). Ela inda "apanha" toda vez que aparece uma versão nova do Windows (Mac, nem sonhar!) e não aproveita as outras facilidades do smartphone.
Tecnologia não é nada de novo ou ameaçador. É o mesmo que tínhamos quando éramos era adolescentes - só que agora temos em maior quantidade.
Até certo ponto (difícil quem nunca tenha operado um caixa de banco) tecnologia é uma questão de opção pessoal.
Pelo menos até que alguém resolva fazer um cruzamento entre o "Tron" e o "Freddie Kruegger"!
Obrigado pelo comentário Hermes. Acredito que encontrei o nome para o cruzamento do Freddie com o Tron - daria para chamar de "Hal 9000"
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